A Polícia Federal do Brasil utiliza análises químicas para determinar as rotas usadas pelos traficantes de cocaína para entrar com com a droga no País.
O órgão está agora compilando o banco de dados mais abrangente das impressões digitais químicas de drogas ilícitas na América do Sul, que será usado para identificar onde a cocaína é produzida originalmene.
Embora a análise química de drogas ilícitas não seja uma novidade, os equipamentos necessários para esse tipo de pesquisa sempre foram muito caros para a maioria dos laboratórios forenses dos países da América do Sul, afirma Claude Roux, professor de química e ciência forense da Universidade de Tecnologia de Sydney, na Austrália. Os recentes avanços na tecnologia - mais especificamente em espectrômetros de massa - tornaram os equipamentos mais acessíveis, no entanto.
Michael Collins, Instituto Nacional de Métricas da Austrália, afirma que a análise química se tornou uma prática padrão nos EUA, Austrália e grande parte da Europa e do Japão, mas explica que a adoção da tecnologia na América do Sul será crucial para a guerra contra as drogas.
Aproximadamente 65% da cocaína traficada para os Estados Unidos tem origem na América do Sul e na América Central. A capacidade de conectar as apreensões às diferentes redes de tráfico da região vai melhorar a coleta de informações e ajudar a processar os criminosos responsáveis, afirma Collins.
Farejando a rota
A cocaína geralmente chega ao Brasil por meio dos nossos vizinhos do Norte: a Colômbia, o Peru e a Bolívia. Mas a análise química de 112 apreensões em quatro Estados brasileiros em 2006 sugere que a droga também está começando a chegar do Paraguai. A PF chegou a essa conclusão após comparar a cocaína apreendida no norte do Amazonas e Rondônia com o perfil químico das amostras coletadas no Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com o Paraguai.
A equipe de Jorge Zacca, do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, examinou os compostos da cocaína apreendida chamados de alcalóides menores, que são encontrados nas folhas da planta da coca. Os alcalóides sofrem uma mudança sutil, dependendo da espécie de coca, onde foi cultivada, a idade da cocaína e como ela foi armazenado. A equipe também analisou os solventes presentes na droga, como um resíduo do processo de purificação.
"A técnica é muito eficaz para ligar a droga aos traficantes", afirmou Zacca. A técnica, no entanto, não é capaz de revelar a origem geográfica da droga, portanto é impossível saber se a cocaína foi produzida no Paraguai ou apenas transportadas por novas rotas que passam pelo país. A identificação geográfica é impossível porque não há banco de dados global na América do Sul para comparar as "assinaturas" químicas das drogas apreendidas com amostras de origem conhecida.
Agora, a equipe de Zacca usa os perfis das novas substâncias químicas para compilar essa base de dados e aumentar a qualidade das análises. Os resultados da pesquisa da Polícia Federal Brasileira foram apresentados no Simpósio Internacional de Ciências Forenses de Sydney, na Austrália, no início deste mês.
Fonte:http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI175221-17770,00-ANALISE+QUIMICA+MAPEIA+COCAINA+QUE+CHEGA+AO+BRASIL.html
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